PROJETO FAISCA

LANÇAMENTO LIVRO BILINGUE "A SAGA DO SURDO"

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Levantamento histórico cultural dos Surdos e a função do intérprete de Libras.

Professor Melquiedes Ferreira Franco.

CURRICULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/0236462337183642

Todos diretos reservados ao Projeto Faísca, em caso de citações, utilizar a referência: FRANCO, Melquiedes. Santa Amélia, 2014.

Levantamento histórico cultural dos Surdos e a função do intérprete de Libras.

Artigo apresentado em 2014 para a faculdade São Braz, para obtenção do título de especialista em Libras.

RESUMO

O presente artigo tem a finalidade de fazer um breve levantamento histórico cultural dos Surdos, afim, de relembrarmos as lutas do povo Surdo em diversos lugares e épocas na Historia  mundial, também refletir sobre a educação do surdo ao longo da História, esse documento versa também sobre a soberania da Libras como língua, com sua gramática própria, diferenciando-a de linguagem apenas gestual e mímica, na parte final faremos um reflexão sobre a postura pessoal e profissional do ILS dentro da sala de aula, referindo-se ao seu objetivo e desempenho na execução das funções atribuídas a ele (a) dentro do âmbito escolar, versaremos também sobre a capacidade interpessoal, pedagógica, e social das quais o ILS deverá estar revestido nessa missão pedagógica e social que aflorou no Brasil na ultima década.

Palavras-chave: Surdos, Libras, Língua de sinais, Intérprete Língua de Sinais.

 INTRODUÇÃO

Em plena efervescência das lutas pelos direitos dos Surdos, aflora a oportunidade de uma grande profissão que no momento é conhecida como Intérprete de Língua de Sinais, mas, como tudo que começa é de praxe que vá crescendo rumo ao aperfeiçoamento constante, ainda há muito o que melhorar no sistema em geral no que diz respeito aos direitos dos alunos surdos dentro das escolas, atualmente o bilinguismo é a teoria aceita no Brasil, todavia a interpretação da Libras dentro da escola melhora na verdade a situação do surdo, porém, o aparato não está completo e ainda não está dentro da proposta do bilinguismo que propõe a Libras (L1) como primeira língua para o surdo e a Língua Portuguesa (L2) como sua segunda língua, porque o Intérprete da Língua de Sinais (partir de agora neste texto denominado pela sigla ILS) ainda precisa interpretar aulas que são planejadas para alunos ouvintes, considera-se também que a grande maioria dos professores se quer tem conhecimento básico da Libras para se comunicar com os alunos surdos, enquanto isso o surdo torna-se dependente da presença do ILS para que se sinta melhor e mais alocado dentro da sala de aula, será isso o máximo que podemos fazer para esses alunos que são tão capacitados quantos os ouvintes, mas que se comunicam em outra língua e precisam de meios pedagógicos e comunicativos que possam tornar a aprendizagem destes mais justa, mais fiel, e mais significante. 

Quanto á questão do ILS, qual postura deverá adotar diante dessa situação até que ponto ser o profissional e até que ponto ser o amigo, será necessário apenas entrar numa sala de aula e transmitir o que o professor diz e pronto, e dizer fiz minha parte! sabemos que não é obrigação do intérprete o letramento do aluno, mas, não podemos deixar a frieza capitalista do pensamento de que o que importa é o meu salário no fim do mês, a profissão do ILS é muito mais que apenas trasladar mensagens de uma língua para outra, nosso compromisso de ser a junção entre dois mundos é de suma importância para que possamos tirar do anonimato, e da prisão da incompreensão muitos profissionais competentes, governantes, administradores e tantos outros talentos que estão bloqueados dentro dos alunos surdos e que agora poderão aflorar e mostrar ao mundo as suas competências, poderão mostrar que comunicação é muito mais do que falar, e que capacidade é muito mais do que poder ouvir, poderemos tirar do silencio as vozes suprimidas por uma História de sofrimento, incompreensão, e dor, daqueles desde muito tempo lutam para ter seu lugar na sociedade.

– Educação do surdo: percurso histórico.

A surdez já foi vista como “doença” ou “algo trágico”, acreditava-se que poderia ser transmitida aos que estivessem próximo.

 Os surdos eram excluídos por não conseguirem falar, ou seja, o problema não era a surdez, mas sim a falta da fala.

A surdez é contraversa desde os primórdios da História. O surdo era muito respeitado num lugar, rejeitado no outro. 

No Egito Antigo os surdos eram venerados como enviados dos deuses, serviam de mediadores entre deuses e os Faraós, eram temidos e respeitados pela população;

Bem antes da nossa era os Hebreus já contemplavam os surdos com muito respeito, em Êxodo Cap. 4, versículos 10, e 11, num diálogo entre Moisés e o Deus de Israel, temos uma resposta objetiva e respeitosa quanto á surdez:

10 Então disse Moisés ao Senhor: Ah, Senhor! eu não sou eloquente, nem o fui dantes, nem ainda depois que falaste ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua.

11 Ao que lhe replicou o Senhor: Quem fez a boca do homem? ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor?

Mais tarde apresentava-se uma lei sacerdotal através do mesmo Moisés a qual estava escrita em Levítico cap. 19: versículo 14, que contemplava com benevolência os Surdos e cegos, essa lei ditava: “Não amaldiçoarás ao surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas terás temor do teu Deus…”, os Hebreus pelo decreto da lei dada por Deus, reconheciam os surdos como cidadãos, isso demonstra que o povo Hebreu era iluminado e estavam muito anos adiantados nesse quesito.

Na China Antiga os surdos eram lançados ao mar;

Os Chinesses sacrificavam-nos aos deus Teutates;

Os gregos acreditavam que os surdos não tinham desenvolvimento intelectual, por não conseguiram desenvolver a fala, por isso também ou abandonavam como é o caso de Atenas, ou os lançavam do alto de rochedo, costume Espartano.

A Igreja Católica da Idade média acreditava que os surdos não possuíam alma imortal por não poderem falar as palavras do Santo Sacramento, Santo Agostinho acreditava que os pais dos surdos estariam pagando algum pecado, pensamento que se apresenta na sociedade Israelense nos tempos de Jesus, ainda que no livro da lei de Moisés como supracitado já se fazia referencia ao respeito que se devia ao surdo.

Somente no inicio da Idade Média que houve um principio de rompimento com esse pensamento religioso e outrora preconceituoso que apresentava em várias nações da antiguidade, mas mesmo assim muitos insistiam que as pessoas que nasciam surdas não eram passíveis de serem educadas, por serem comparados aos deficientes mentais, assim eram excluídos da sociedade, pois não tinham uma linguagem conhecida para se defenderem.

A partir do Séc. XVI, no inicio da Idade Moderna começou a aflorar na sociedade “os grandes mestres dos surdos” que apresentaram uma visão mais cientifica sobre a surdez, citando alguns exemplos:

– Girolamo Cardamo (1501 á 1576) Médico italiano que teve um filho surdo. Estudou o ouvido, a boca e o cérebro. Alguns não eram indispensáveis para a compreensão das ideias, e admitia que os surdos pudessem aprender a ler e a escrever, 

– Pedro Ponce de Leon (1520-1548) monge beneditino que foi importante educador de surdos, que dedicou grande parte da sua vida a ensinar crianças surdas filhas de pessoas nobres, sua metodologia utilizava a datilologia, oralização e escrita, eles acreditavam que os surdos deveriam desenvolver e corrigir os valores da fala para ter condições de adquirir uma boa pronuncia e aprender a falar como os ouvintes.

– Juan Pablo Bonet, que em 1620, publica o primeiro livro sobre a educação de surdos que consiste no aprendizado do alfabeto manual e na importância da intervenção precoce, pois acreditava que as pessoas envolvidas com uma criança surda fossem capazes de utilizar o alfabeto manual.

Samuel Heinecke (1729-17840) – Foi fundador e diretor da primeira escola pública para surdos na Alemanha. Em 1754, havia instruído seu primeiro aluno surdo – através da escrita e da língua oral. Seu segundo aluno foi apresentado em Público, o que lhe deu notoriedade. Foi criador e defensor do método oral. Mantinha

debates e correspondência com L’Epée acerca da controvérsia de seus métodos.

Charles-Michael de Le´pée (1712-1789), educador francês, que ficou conhecido como “Pai dos Surdos”, na França fundou a primeira escola pública para surdos  em 1756 na cidade de Paris, Charles dedicou-se a educação dos surdos por interesses religiosos de salvação dos surdos, em meados na década de 1750, fundou um abrigo, que ele próprio sustentava (nível particular e privado), ele  acreditava que os surdos eram capazes de possuir linguagem, receber sacramentos evitando assim a ida deles para o inferno.

No século seguinte principalmente após a advento da Revolução Francesa e da Revolução Industrial, aconteceram muitos debates sobre a educação dos surdos onde havia divergências sobre o que era melhor para educar o surdo, a luta era para aceitar se realmente poderia existir uma língua de sinais, se era melhor oralizar ou ensinar a língua de sinais aos surdos como sua língua natural. 

A partir dessa época a ideia oralista começou a se fortalecer, até a realização do congresso de Milão, em 1880 na Itália, onde para a desventura dos surdos, e dos professores surdos, o Oralismo saiu vitorioso.

Por conta desses fatos históricos os surdos seriam colocados numa bolha de ferro chamado de Oralismo, que por sua vez gerou as práticas ouvintistas, onde o surdo não poderia aprender a língua de sinais como sua primeira língua visto que era entendido que a mesma seria prejudicial ao desenvolvimento das crianças surdas.

No séc. XX, a batalha continua, todavia dessa vez contempla-se vitória da Língua de sinais, de luta em luta, de década a década:

Em meados do séc. XX, as comunidades surdas tiveram um momento histórico muito importante devido a necessidade de uma organização de surdos em nível internacional, e se tornou urgente as lutas das Associações de Surdos. 

Em 1951, em Roma, na Itália, criou-se a FMS – fundação da Federação Mundial de Surdos. A FMS é uma organização não-governamental em nível internacional e representa as comunidades surdas. Suas atividades foram crescendo através dos anos, e sua principal função é a de congregar as Associações, Federações e outras Organizações Nacionais de Surdos.

Em 1971, congresso nacional em Paris, valoriza a língua de sinais, mas, ainda considera-a prejudicial aos surdos.

Em 1975, no congresso de Washington, ficou evidente que o oralismo dominante não era a solução para educação de surdos, o que protagonizou o fortalecimento da teoria da comunicação total (uso de língua de sinais, língua oral, e muitos outros meios pelos quais poderíamos se comunicar com a criança surda), a falha dessa teoria foi focar-se na fala e não propriamente na surdez. A comunicação total era bem intencionada, porém, era filha do oralismo.

Todavia a comunicação total sendo uma continuação do oralismo acabou por lançar as bases para o bilinguismo, como afirma Souza:

“De fato, se o oralismo tivesse tido sucesso, crianças surdas não colocariam á sociedade nenhum grande problema e, possivelmente, a linguagem de sinais não teria se constituído tão cedo em objeto de estudo para a linguística (Souza, 1998)”.

Língua de sinais no Brasil:

Resumidamente é importante citar alguns fatos históricos marcantes para a educação de surdos no Brasil.

Eduard Huet (1822-1882):

Huet era Francês, professor surdo com mestrado em Paris, veio ao Brasil sob aprovação do Imperador Dom Pedro II, com intenção de abrir uma escola para iniciar um trabalho de educação de pessoas surdas.

Em  26 de Setembro 1857,  fundou-se o INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos) na cidade do Rio de Janeiro, nesta data é comemorada o dia do surdo no Brasil.

Língua de sinais e línguas orais.

Conceito de língua: dicionário Aurélio apresenta que a língua é usada por um povo ou por nação, é conjunto de regras da sua gramática.

Conceito de Linguagem: dicionário Aurélio apresenta que a linguagem, é o uso da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e de comunicação entre pessoas. 

A língua de sinais é poderosa para expressar os sentimentos/pensamentos dos seres humanos, tanto quanto qualquer outra, e a mesma nasceu também espontaneamente da convivência entre pessoas.

Não tem como deixar de citar um fato muito importante para a História da valorização das línguas de sinais que sucedeu após a defesa de uma tese do potencial linguista William Stokoe, que em 1955 trabalhou nos Estados Unidos como professor e chefe de Departamento de Inglês do Gallaudet College, atualmente conhecido como Gallaudet University, que é uma Universidade para Surdos. A partir de seu trabalho nesse colégio, aprofundou seu conhecimento linguístico nas línguas de sinais descobrindo os aspectos e valores linguísticos (fonologia, morfologia, sintaxe, semântica e pragmática) dos demais idiomas orais-auditivos como o Inglês, o Francês, também nestas línguas de modalidade viso espacial. 

Os autores Veloso e Filho reconhecem tais investigações de Stokoe: 

A publicação de sua obra, foi fundamental na mudança da percepção da ASL como uma versão simplificada ou incompleta do inglês para o de uma complexa e próspera língua natural, com uma sintaxe e gramática independentes, funcionais e poderosas como qualquer língua falada no mundo. Ele levantou o prestígio da ASL nos círculos acadêmicos e pedagógicos, provando que ela tinha valor linguístico semelhante às línguas orais e que cumpria as mesmas funções, com possibilidades de expressão em qualquer nível de abstração. (VELOSO e MAIA , 2011, p.47)

Dessa forma temos que a língua de sinais não é melhor e nem pior do que qualquer outra língua, ela na verdade tem suas próprias características como qualquer outra língua, ela apresenta uma diferença no contexto de não ser um língua oral, e sim espaço-visual, e é isso que faz dela uma língua diferente pela peculiar maneira de expressá-la, mas em essência a língua de sinais contém a beleza, utilidade, história, expressividade e complexidade de uma língua que representa uma grande comunidade mundial, “os Surdos”.

Temos que admitir que o desconhecimento sobre o real valor da língua de sinais ainda é muito grande no mundo inteiro, ainda que alguns países são mais desenvolvidos neste quesito, mas no geral há falta de conscientização.

Segundo a palavra de Brito: Infelizmente muitas pessoas a veem como uma língua restrita e limitada ao desenvolvimento cognitivo, social e afetivo do Surdo. Pensam o Surdo como um deficiente. Pesquisas apontam que a língua de sinais não prejudica o desenvolvimento e enfatizam que essa língua possui valores e elementos linguísticos, 

As línguas de sinais são, portanto, consideradas pela linguística como línguas naturais ou como um sistema linguístico legítimo e não como um problema do surdo ou como uma patologia da linguagem. 

Stokoe, em 1960, percebeu e comprovou que a língua dos sinais atendia a todos os critérios linguísticos de uma língua genuína, no léxico, na sintaxe e na capacidade de gerar uma quantidade infinita de sentenças. (QUADROS E KARNOPP, 2004, p.30)

A Libras e o Surdo, um casamento perfeito:

O ser humano possui dois sistemas de produção e reconhecimento da língua e da linguagem: o sistema sensorial, que faz uso da visão, audição, e fala. E o sistema motor que usa a visão e o movimento do corpo com especialidade os braços e as mãos, a pessoa surda apesar de ter em seu cérebro o sistema para aquisição da língua oral (prejudicada pela falta da audição), pode largamente usar o sistema motor para comunicação com a sociedade, apreendendo informações do ambiente através da visão, nesse ponto temos na pessoa surda um desenvolvimento sensorial da visão bem aguçado, levando-o a perceber sinais da expressão corporal que muitas vezes o ouvinte não percebe por se ater mais propriamente aos sons, temos na pessoa surda também um desenvolvimento da inteligência sinestésica devido ao uso da expressão corporal e facial para expressão do seu ser.

Ao aprendermos música temos já nas primeiras lições uma definição do que é musica: “A música é a arte de manifestarmos os diversos afetos da nossa alma mediante os sons”, podemos assim também definir a libras “A língua de sinais é a arte de manifestar os diversos afetos da nossa alma mediante a expressão corporal e facial, juntamente com os símbolos da língua de sinais”.

Temos por resultado que se a alma manifesta seus afetos pela emissão de sons como expressão de seus sentimos, com a mesma profundidade poderá com certeza a Libras (ou língua de sinais de outro país) expressar os pensamentos dos Surdos através das expressões do corpo.

A língua de sinais é a língua natural da pessoa surda, verificando-se que a mesma tem estrutura sintática própria, e é poderosa para expressar-se sobre filosofia, política e outros.

                 O aluno com surdez tem as mesmas possibilidades de desenvolvimento que a pessoa ouvinte, o que a pessoa surda precisa é de meios que supram suas necessidades  de comunicação, visto que a língua natural dessas pessoas é a língua de sinais.

O intérprete é o ouvido do Surdo, e a boca do ouvinte:

O Profissional ILS é a ligação entre dois mundos através do intercambio de duas línguas, muito além da competência profissional o interprete precisa também da competência de compreensão humana, não se pode trabalhar bem com uma pessoa surda sem entender até certo ponto as especificidades da mesma, é necessário um real conhecimento do outro, caso contrário o trabalho do profissional ILS será prejudicado, o ILS é o ouvido do surdo e a boca do ouvinte na hora da interpretação, é conviver com dois mundos e uni-los pela interligação de duas línguas, é realmente uma função de profunda responsabilidade social e pessoal.

Aí temos a pergunta? Ao ILS é necessário apenas a fluência na língua de sinais? ou esse profissional precisa de desenvolvimento ético, didático, profissional e interpessoal?

O trabalho do ILS torna-se o meio pelo qual a pessoa surda acessa o mundo dos ouvintes e o mundo dos ouvintes acessa o mundo do surdo.

O profissional ILS está participando de um momento histórico muito importante para as comunidades surdas no Brasil, visto que a regularização da profissão de ILS veio com a finalidade de atender a demanda educacional da inclusão, temos no ILS um profissional que deixará as suas marcas nesse momento histórico, e isso nos chama profundamente a reflexão, muito mais do que interpretar uma aula, precisamos estar atentos a tantos outros fatores envolvidos na educação do surdo, percebendo que ainda o sistema não ofereceu as crianças surdas todo o apoio que elas precisam, pois as aulas ainda estão fundamentadas na cultura ouvinte, dessa forma o intérprete tem a missão de transferir para o surdo o que o professor diz, mas, na língua de sinais, dentro da estrutura do pensamento de uma pessoa surda, todavia esse profissional deverá ater-se ao aperfeiçoamento constante, buscar uma posição responsável e ética quanto á maneira de trabalhar a educação dos surdos, procurando parceria com os professores, e alunos ouvintes, afim de realmente trazer á luz a pessoa do surdo, a sua identidade, a sua cultura…, porque que não incentivar o aprendizado da Libras para os ouvintes? Ainda que isso possa acontecer naturalmente com a convivência, com o fato dos ouvintes usar a língua do surdo a inclusão será mais significativa para eles.

Fernandes, afirma ainda que: 

Como grupo minoritário, os surdos buscam na escolarização a 

expectativa de incorporação social e a consequente conquista 

de direitos básicos de sua cidadania. Incorporar-se à escola da 

maioria significa, entretanto, abrir mão de certos aspectos de 

sua identidade, assimilando formas da cultura dominante como 

é o caso de sua língua, por exemplo. Apesar de pensarem e 

expressarem-se, não têm seu conhecimento reconhecido 

porque o fazem de um modo diferente da maioria de seus 

pares ouvintes alfabetizados, que vivem em uma cultura que 

valoriza o oral, que conhecem e usam a escrita de maneira 

natural. (Fernandes, 1999 p.62)

Então, se os alunos ouvintes se comunicarem com os alunos surdos com o uso de língua de sinais, se a escola fornecer informações de acesso ao prédio, tudo isso fará com que a pessoa surda se sinta realmente inserida na sociedade. Ainda para Fernandes: 

É importante destacar que no Paraná, apenas na última 

década, houve uma abertura nas escolas especiais em relação 

ao reconhecimento da necessidade da prática de uma 

educação bilíngue, que oportunizasse aos surdos tanto o 

acesso à Libras quanto à língua portuguesa, de forma 

significativa. Durante mais de um século, no Brasil e no mundo, 

os surdos foram terminantemente proibidos de utilizar sua 

língua natural, sendo-lhes negado o direito de optar pela forma 

de comunicação mais apropriada as suas necessidades (Fernandes 2004 p.1).

A hora “H” é agora, chegou a vez da comunidade surda vencer os obstáculos do preconceito e da exclusão e aparecer como uma nova parcela da sociedade que poderá apresentar para o Brasil e para o Mundo uma gama de talentos muito necessários á humanidade.

E nós profissionais ILS, somos parte integrante desse momento histórico tão honroso e frutuoso, a nossa esperança é ver ainda que daqui a vários anos, os bons frutos do nosso trabalho consciente e cheio de amor pelo próximo.

Referencias

RVCSD – Revista Virtual de cultura Surda e diversidade

http://editora-arara-azul.com.br/novoeaa/revista/?p=466

LOURENÇO, K.R.C.; MEIRELES, A.R.A.D.C.;. In: LOURENÇO, Kátia Regina Conrad. Apostila para Proficiência em Língua Brasileira de Sinais: LIBRAS, Falando com as Mãos e Ouvindo com os Olhos. Caraguatatuba: Instituto Modelo de Ensino Superior de Caçapava – IMOESC, 2012. Cap.02, p. 14-60.

ARRIENS,M.Corpo e movimento na comunicação. Instituto Paranaense: Maringá,2007.

STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. 2. ed. rev. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2009.

KARNOPP, L.B. Aquisição do parâmetro configuração de mão na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS): estudo sobre quatro crianças surdas, filhas de pais surdos. 1994.

Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre: 1994.

LOURENÇO, K.R.C. Currículo, Cultura e as Relações de Poder sobre a Minoria Surda. Encontro Mineiro sobre Investigação na Escola. III. 2012. Ituiutaba/MG.Anais de Congresso. Faculdade de Ciências Integradas do Pontal, Universidade Federal de Uberlândia, 2012.

LOURENÇO, K.R.C.; MEIRELES, A.R.A.D.C.;. In: LOURENÇO, Katia Regina Conrad. Apostila para Proficiência em Língua Brasileira de Sinais: LIBRAS, Falando com as Mãos e Ouvindo com os Olhos. Caraguatatuba: Instituto Modelo de Ensino Superior de Caçapava – IMOESC, 2012. Cap.02, p. 14-60.

Deficiência Auditiva: Giuseppe Rinaldi et.al. (1997) Brasília: Secretaria de Educação Especial – SEESP. VI. Série Atualidades Pedagógicas; n. 4. Encontre em http://www.surdo.org.br/

BRASIL. Ensino de Língua Portuguesa para Surdos: Caminhos para Prática Pedagógica.v.1. Brasília: MEC, 2004.

BRITO,L.F. Integração Social e educação de Surdos.Rio de Janeiro: Babel, 1993.

FELIPE, Tanya Amara (coord). Libras em Contexto. Curso Básico. Rio de Janeiro. Ministério da Educação e do Desposrto. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Secretaria de Educação Especial, s/d

FERNANDES, Eulália. Linguagem e Surdez. Porto Alegre: ArTmed, 2003.

Fonte: PIMENTA, Nelson, QUADROS, Ronice Muller, 2009


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